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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Igreja cooperou com o fascismo segundo o livro de Randina

Autoridades eclesiais com Mussolini (ao centro)
Autoridades eclesiais deram apoio a Mussolini (ao centro)
em troca de autonomia e estabilidade financeira

Bernardino Nogara (1870-1958) foi um competente assessor financeiro do Vaticano entre 1929 e 1954. Em sua gestão, ele conseguiu sanar as finanças da Santa Fé com a Praevidentia, uma empresa de seguros cuja criação só foi possível porque teve o apoio de senadores fascistas.

Claudio Rendina
Livro de Rendina revela
que Igreja pouco mudou
Esse é um dos fatos históricos relatados no livro “Os Pecados do Vaticano - Soberba, Avareza, Luxúria, Pedofilia” (Ed. Gryphus, 353 págs., R$ 50] do sociólogo italiano Claudio Rendina (foto) recentemente lançado no Brasil e em outros países. 

Ali, há outros relatos da estreita ligação da Igreja Católica com o fascismo. O livro mostra, por exemplo, as negociações entre a Igreja e Benito Mussolini em torno do chamado Tratado Latrão, que permitiu ao Vaticano se tornar um Estado soberano. 

Obviamente que isso não saiu de graça, e a Santa Sé teve de dar sua contrapartida, o que incluiu o fornecimento de armas ao Exército italiano, por intermédio da empresa Officine Meccaniche Reggiane, do Vaticano, para a ocupação da Etiópia em 1935. 

Essas revelações não são novas, mas o mérito do livro de Rendina é apresentá-las com riquezas de detalhes, com datas e lugares, colocando-as dentro de uma sucessão de fatos históricos cujas conexões entre si apresentam uma certa coerência. A ponto, inclusive, de a Igreja nunca ter feito uma autocrítica sobre o seu envolvimento com o fascismo. 

Com o mesmo detalhamento, o livro conta outros podres da Igreja Católica cujo fedor exala até hoje, como a pedofilia. Há registros de que papas e bispos gostavam de garotinhos desde o século 13. 

Há também no livro informações sobre o caso entre o papa Gregório XVI (1831-1846) e a mulher do barbeiro do cardeal Cappellari. Foi uma paixão avassaladora, mas trata-se apenas de uma entre tantas outras histórias de luxúrias de homens encarregados de ditar a moralidade divina a este mundo de pecadores. 

Rendina contou à Istoé que, em suas investigações, ficou chocado com a avareza dos papas e de seu séquito desde a Igreja primitiva, com a ostentação de riqueza em contraste com a extrema miséria dos fiéis. 

Existem vários livros sobre a vergonhosa história da Igreja Católica, mas este de Rendina tem incomodado mais o Vaticano, e por três motivos. 

Na época de Mussolini, a religião 
oficial do Estado foi a católica
Primeiro porque Rendina é um católico praticante, e os clérigos não podem acusá-lo, por exemplo, de ser um ateu que só pensa em denegrir a Santa Sé. 

Segundo porque o livro é bem fundamentado e muitos de seus dados foram colhidos na biblioteca do próprio Vaticano, onde, aliás, o sociólogo deixou de ser bem-vindo. 

O terceiro motivo é o fato de o livro ser lançado em um momento de grave crise da Igreja Católica, com a explosão de denúncias contra padres pedófilos em vários países e o vazamento de informações comprometedoras sobre as intrigas dos corredores do Vaticano. O que mostra que, na essência, a Igreja pouco mudou. É o que mostra o livro.

Com informações da Istoé.

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