quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Governo brasileiro tentou “se livrar” de senador evangélico boliviano refugiado em embaixada, afirma jornalista

Governo brasileiro tentou “se livrar” de senador evangélico boliviano refugiado em embaixada, afirma jornalista
Em meados de 2013 afuga do senador e pastor evangélico boliviano Roger Pinto Molina para o Brasil motivou um grande desconforto entre os governos do Brasil e da Bolívia. Porém, informações publicadas recentemente pelo Estadão mostram que, antes da fuga de Molina, o Governo Brasileiro tentou enviá-lo para a Venezuela ou Nicarágua, em ação acordada com o governo da Bolívia.
A reportagem, assinada por Andreza Matais, revela que quatro diplomatas brasileiros discutiram o plano na capital boliviana com os principais assessores do presidente para tirar o senador da embaixada brasileira em La Paz, onde ele ficou confinado durante 450 dias em uma sala sem janelas, num avião venezuelano.
O plano para a retirada do senador da embaixada brasileira consistia em oferecer a ele ajuda para sair da Bolívia, com a condição de que ele deveria dar ao governo brasileiro total direito de enviá-lo a um país sem antes o informar seu destino. Além disso, ele deveria aceitar receber uma junta de juízes para que fosse citado nos processos judiciais aos quais responde.
O objetivo da operação secreta seria evitar que o governo brasileiro se indispusesse com Evo Morales, ao ter que abrigar o político opositor de seu regime. Porém, o plano não deu certo porque o senador não aceitou a proposta para viajar sem saber seu destino.
Refugiado no Brasil após deixar a Bolívia com a ajuda de diplomatas brasileiros, o senador Roger Pinto vive atualmente em um quarto em Brasília, e aguarda a decisão do governo de Dilma Rousseff se irá ou não lhe conceder refúgio no Brasil.
O governo brasileiro ainda não decidiu se irá conceder refúgio ao senador. O prazo vence no dia 28 de fevereiro, mas o pedido ainda está sendo analisado. O advogado do senador boliviano, Fernando Tibúrcio Peña, criticou a demora, que diz causar instabilidade ao seu cliente, e acusou a politização do caso.
- Na época em que ele chegou ao Brasil, o ministro da Justiça me disse que havia interesse em resolver o caso rapidamente, mas vejo que o caso continua politizado – declarou o advogado.

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