sexta-feira, 29 de julho de 2011

Rosania Rocha, "Esposa" de Lanna Hollder, Abre o Jogo em Entrevista


Homossexualismo, Igreja Gay, PL 122, Rejeição, Queda e Disciplina pós Envolvimento com Famosa Pregadora Lanna Holder, tudo na entrevista de Rosania Rocha. Ela é Rosania Rocha, esposa(o) de Lanna Holder. Ela concedeu uma entrevista para o Blog Ex-Hetero expressando sua satisfação em fazer parte de um projeto de inclusão de gays, lésbicas e simpatizantes em uma nova Igreja Cristã em São Paulo.
Não pretendo discutir “personalidades” com o artigo que notadamente circula na rede; apesar de que não posso também expressar apoio frente a decisão dos envolvidos nesse novo projeto. Parte do sucesso do tema se dá pela notoriedade que é justificada no grande sucesso que a missionária Lanna Holder obteve quando ainda defensora dos verdadeiros princípios cristãos sobre família, casamento hetero e relações sadia.
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Lanna foi bem influente no meio gospel, tendo alcançado fama depois de suas aparições no congresso dos Gideões Missionários da Última Hora (Camboriú) contando o testemunho de como Deus a havia livrado do lesbianismo, a missionária contraiu matrimonio e se projetou em uma carreira singular no âmbito pentecostal. Conhecida pelos admiradores pela grande capacidade de memorizar textos bíblicos, Lanna foi imitada por centenas de mulheres assembleianas.
“Com apenas 12 anos de idade conheci o lesbianismo. Aos 17, fui a uma boate gay e tive a minha primeira intimidade sexual com mulher. Logo depois desse acontecimento, saí de casa para morar com uma mulher 12 anos mais velha do que eu”, revelou Lanna em uma entrevista antiga ao portal ELNET.
Segundo consta em sua entrevista, Rosania Rocha, voltou para o Brasil mesmo ainda tendo ligações com o filho que continua nos Estados Unidos. Apesar de ter um conhecimento relativo da musica cristã pentecostal depois de ter lançado dois CDs evangélicos, Rosaina estaria trabalhando em um CD Pop Rock.
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Para ela, ela se vê já bem evoluída em tudo na área da adoração que por enquanto não teve condições de mostrar. Ao falar se seu procimo trabalho será gospel ela diz: talvez eu trilhe caminhos diversificados, dos de antes, mas a minha direção será sempre meu Mestre.
Para Rosaina, enfrentar a comunidade evangélica após o escândalo que envolveu a grande pregadora foi difícil, porque ela amava aquele ministério que era membro a dez anos.
Segundo Rosaina Rocha, ela tentou de tudo para sentir aceitação e paz novamente. Fora a parte, como conta, buscou os tratamentos que “curassem” ou “libertassem” seja qual fosse a suposta solução.
Falando no que toca a Teologia da Inclusão, Rosania Rocha afirmou que a teoria veio sugindo como um crescimento diário que gradativamente ampliou-se através de cada experiência diária e continua.
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Confira a baixo parte da Entrevista que toca temas cristãos com mais propriedade bem como as pessoas que fizeram parte do processo que levou tomar sua decisão:
Falando do Pr. Ouriel de Jesus e sua família, que tiveram uma participação tão fraterna no início da sua vida ministerial, como você pretende lidar com a possível repressão que possa vir de um “amigo” e pastor de tamanha visibilidade no meio gospel.
Rosania Rocha: Ele foi sim junto com sua família participantes da minha vida durante os meus dez primeiros anos nos Estados Unidos, anos estes seguidos de muita busca e conquistas para todos nós naquele lugar! Eles eram como pais e irmãos para mim, afinal tudo era tão novo e ao mesmo tempo assustador naquele país.
Nesse ínterim eles me ajudaram, e também me deixaram colaborar e participar com o talento que Deus tinha me dado, e essa era minha maior alegria: servir ao Senhor. Eu sei que foi Deus foi quem quis me honrar naquele lugar… por isso a repreensão daqueles que se ausentaram nos momentos mais decisivos e difíceis, não valeria agora… muito menos alguém que não participou dos momentos mais agonizantes e terríveis quando mais precisei… não é ser cruel, é ser realista… eu só ouviria a repressão de quem esteve perto de mim e estes são os que mais importam para mim, realmente! Agora ao fato de visibilidade, afff, não me intimida nem um pouco esta posição de quem quer que seja! Respeito a todos,mas não temo ao homem!
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Blog Ex Hetero: O nosso blog começou uma campanha chamada#CristoesPelaPLC122. Qual sua opinião sobre o projeto de lei que pretende criminalizar a homofobia no Brasil e que alguns grupos religiosos tem chamado de mordaça gay?
Rosania Rocha: Eu estou angustiada com o tratamento humano aqui no Brasil, não só homofóbicos mas de tudo! Os cristãos ao invés de pregar a paz, incitam a guerra, a dor! É bíblico! Quer saber de uma coisa? A esperança é Cristo e se nós sendo cristãos agimos assim, hostilizando, jogando fora os que o Senhor quer trazer, menosprezando misturando aos que não sabem amar, quem nós somos? Para mim não conhecem a Cristo aqueles que tal coisa fazem, e eu não apoiaria tal ato! Sob nenhuma situação nem agora nem nunca! Então esta acontecendo aquilo que Deus quer, caminhos abertos, igrejas que acolhem, leis que protegem, isto e Deus purinho! Só não vê quem não quer! Deus não vai perder para o inimigo! Ele trará sim as almas, almas estas que ELE conhece e acompanha nas caladas da noite quando ninguém os vê gritando por socorro, por misericórdia e amor! Deus não vai deixar eles morrerem! Se o povo “cristão” não quer, não quis, e não sabem lidar, então Deus está levantando , preparando, quem quer e sabe entender a situação através da ótica do Pai amoroso que é o nosso Deus, e acolher a certeza de que SOMENTE O PAI PODE JULGAR OU DEFINIR O SENTIMENTO DE UM SER HUMANO! Prestem atenção, DEUS NUNCA PERDE!
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Blog Ex Hetero: Temos visto um grande assédio por parte da mídia com relação a Igreja Cristã Contemporânea dos pastores Fábio Inácio e Márcio Gladstone, que frequentemente aparecem em programas de TV, radio, jornais, revistas e sites. E com relação a essa curiosidade da mídia? Como pretende lidar com esse assédio?
Rosania Rocha: Eu vivi muito tempo fora do país e acabei de chegar, então, não estou por dentro de tudo, mas a gente sempre ouve algumas coisas aqui e ali… A mídia é sempre curiosa e sempre fazem o seu trabalho e um pouco mais não importa como! Quanto a eu lidar não sei ainda… Eu vivo muito seriamente tudo que eu abraço e isto torna as coisas mais simplificadas para mim em todos os ângulos… Sei que terei muito chão para andar, mas sempre fui destemida, agora não será diferente!
Blog Ex Hetero: O que você diria aos jovens cristãos que estão desiludidos por não conseguirem se libertar e encontrar uma cura para homossexualidade?
Rosania Rocha: Eu digo: “Queridos, não se precipitem nas suas vidas, não se desesperem , busquem a Deus o dia todo! Todo tempo! Não se iludam em viver a vida que outros querem para você, porque se funcionasse não estaríamos tao afligidos agora! Não interfira na vida de um terceiro, colocando uma pessoa na sua vida para se esconder do que você não pode fugir! Não faça isto! O único direito que é seu é o de se encontrar em Deus e esperar nEle! Pelo amor do Pai, não entre em desespero seguindo caminhos errados por se sentirem só! Você não está só! Deus tem um projeto para sua vida, do jeito que você é , se aceite e deixe o resto nas mãos do Todo Poderoso! Ele não te abandonará nem te jogará fora, Ele te mostrará o caminho, e te ensinara seu papel neste mundo! Não se entregue, CONTUDO A UMA ESPERANCA! JESUS CRISTO é SUA
BANDEIRA, ELE TE AMA! Ele não te fez para depois refazer… CONFIA NELE!
Fonte: Baú gospel

Polêmico livro com supostas denúncias sobre aproveitadores da fé alheia cita Silas Malafaia, Edir Macedo, Valdemiro Santiago, R. R. Soares e outros



Gentil Lopes da Silva, professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), lança livro polêmico que denuncia o abuso religioso de diversos líderes.
Lançado pela Letra Capital Editora o livro O Tao da Matemática na verdade não trata sobre matemática, mas busca com um olhar critico denunciar o abuso da fé promovido por muitos dos líderes espirituais entre eles Silas Malafaia.
Gentil Silva, que já pertenceu durante cinco anos à Igreja Adventista do sétimo dia, e que há muito tempo chegou a fazer parte da União do Vegetal em entrevista ao The Christian Post, disse hoje ser uma pessoa sem religião, mas que acredita em Deus, porém não na concepção cristã de Deus – isto é, de um Deus pessoal (com características humanas).
“Desenvolvi uma concepção própria do que seja Deus. Exponho essa concepção ao longo do meu livro”.
Gentil conta que o livro O Tao da Matemática lançado há pouco mais de um mês, é fruto de sua decepção com o mercantilismo descarado promovido por muitas das religiões atuais.
A idéia principal do livro é pra lá de polêmica, Gentil conta que quer com essa obra denunciar muitos dos lideres espirituais que estão em ênfase hoje e disse que cita no livro tanto nomes evangélicos quanto católicos.
“[A idéia principal é] Denunciar que os bandidos trocaram o revólver pela Bíblia para assaltar cegos indefesos (ovelhas)”. Estes são os únicos bandidos que ainda gozam da proteção da lei.
Alguns dos nomes que segundo ele, são citados em seu livro incluem Edir Macedo, Silas Malafaia, Valdemiro Santiago, R. R. Soares e até mesmo padres como o Pe Léo e Pe Fabio.
Além de fazer sérias acusações, o livro O Tao da Matemática trata da prática religiosa e tenta construir a visão de um Deus diferente das religiões atuais, um Deus mais de acordo com a ciência atual – uma fusão entre ciência e religião.
Fonte: Gospel mais

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Arqueólogos dizem ter descoberto o túmulo do apóstolo Filipe


Pesquisadores acreditam que tumba encontrada durante escavações em Pamukkale, na Turquia, guarde os restos mortais de santo Filipe


Uma equipe de arqueólogos dirigida pelo italiano Francesco d'Andria afirmou ter encontrado na cidade turca de Pamukkale, antiga Hierápolis , o túmulo de São Filipe, um dos doze apóstolos de Jesus, informou nesta quarta-feira (27) a agência Anatólia.
"Tentamos encontrar há anos o túmulo de São Filipe. Finalmente o encontramos entre os escombros de uma igreja que escavamos há cerca de um mês", explicou o arqueólogo, acrescentando que a tumba ainda não foi aberta.
"Um dia será aberta, sem dúvida. Esta descoberta é de grande importância para a arqueologia e o mundo cristão", afirmou ainda.
Originário da Galileia, atual Israel, Filipe foi um dos discípulos de Cristo. Teria viajado para evangelizar as regiões da Ásia Menor, teria sido lapidado e depois crucificado pelos romanos em Hierápolis, na Frígia.
A atual Pamukkale é um local turístico conhecido por suas águas termais, suas rochas sedimentares e sua pedra calcárea branca, de onde vem o nome da cidade, que significa em turco "castelo de algodão".
Fonte : ig

terça-feira, 26 de julho de 2011

Esaú, nova referência dos líderes evangélicos


Recentemente, assisti a um vídeo na internet em que jovens cristãos, que suponho serem evangélicos, apresentam uma oração de Francisco de Assis. Confesso que fiquei muito emocionado. Que bom que eles descobriram o frade que desafiou o papado com sua mensagem revolucionária e radical. Mas no final do filme, tive uma surpresa. A imagem de Che Guevara com uma coroa de espinhos. Eles conseguiram a proeza de enxergar na famosa caricatura do revolucionário a imagem de Jesus.

O que isso me diz? Que não há referências disponíveis para os nossos jovens. Eles carecem de heróis. Foram buscar inspiração num santo canonizado pela igreja católica e num líder político revolucionário da América Latina canonizado pelas massas.

Enquanto isso, a igreja evangélica forja novos tipos de heróis. Se para a igreja primitiva, herói era quem morria pela causa do Reino, para a igreja contemporânea, herói é quem alcança sucesso em seu ministério.

Quem são nossos novos heróis? Não são mais os mártires, e sim os que cruzam nossos céus em suas próprias aeronaves. Os que constróem suntuosas catedrais. Os que se tornam políticos de grande influência. Os que ostentam jóias, penduricalhos revestidos de ouro, ternos Armani, sapatos de cromo alemão, etc.

Quem se inspiraria num frade maltrapilho? Ou num pastor abnegado com seu terno surrado?

A igreja de hoje está dividida entre várias influências marcantes:

Há os gedozistas (G12), cuja referência maior é o apóstolo Renê Terra Nova. A cada dia, novas igrejas adotam o esquema do G12. Enquanto isso, pastores sonham com o dia em que terão seu próprio avião, a exemplo do seu paipóstolo. Já há pastores exigindo que sejam chamados de paistor, pra ficarem mais parecidos com seu ídolo. Sem contar os inúmeros atos proféticos, encontros tremendos, e outras bizarrices do gênero. O Terra Nova, bem como outros expoentes deste 'mover' são a prova inconteste de que a coisa realmente funciona. E é isso que interessa pra eles. Não há compromisso com a consciência, com o que é certo, mas com o que dá certo.

Há os Iurdistas. Não me refiro aos pastores da Igreja Universal, e sim às igrejas que se dobraram ao esquema iurdiano. É o que dá certo! Amuletos, correntes, pedidos levados para o monte (já que levá-los pra Israel fica muito caro), e sacrifícios, muitos sacrifícios para alimentar a máquina. No mesmo balaio, cabe a Igreja da Graça, a Mundial do Poder de Deus, e outras franquias do gênero. Até alguns dos seus ferrenhos críticos acabaram cedendo. Um exemplo disso é o apóstolo Miguel Ângelo. Doutrinas diferentes, mas práticas semelhantes. Macedo se tornou o modelo desta turma que sonha um dia também ter seu próprio canal de TV.

Há os gospistas, cuja referência maior é o casal Hernandes. Eu disse gospistas, não golpistas (o trocadilho é proposital). Daí, tudo é gospel. Noite gospel, academia de ginástica gospel, boate gospel, e já tem até cerveja e motel gospel. É ano apostólico disso, ano apostólico daquilo, e lá vai fumaça!
Quem não se ajusta a um desses esquemas corre o risco de ficar pra trás. 

Esperto é quem consegue reunir o que há de ‘melhor’ (ou seria ‘pior’) dos três esquemas. Imagine a reunião dessa ‘santíssima trindade’: Terra Nova + Macedo + Hernandes. Qual seria o resultado desta equação? Quem seria o subproduto, o Frankstein que surgiria da fusão entre eles? 

Imagine reunir a turma do Monte Sinai, com a do Peniel, e a dos Gideões! Misericredo! Imagine uma igreja que além de adotar os produtos gospel, ainda integrasse a visão celular no modelo dos 12, com direito a shofar e tudo mais, com as campanhas e amuletos iurdianos.

É triste ver igrejas sérias se rendendo a esses 'moveres'. 

Há ainda os Malafistas, com seus congressos, cruzadas e pra completar, suas bíblias comentadas ao peso de ouro. 

Só há uma maneira de fazer uma limpeza no arraial evangélico: boicote. Temos que mobilizar a igreja para boicotar os produtos desta turma. Enquanto estiverem se dando bem, eles não mudarão. Só um prejuízo no bolso para fazê-los reconsiderar seus posicionamentos, e quem sabe, voltarem-se para Deus. 

Recuse-se a dar audiência a seus programas. É um bem que você faz a eles e à igreja de Cristo como um todo. 

Não pague pra participar de um encontro, cuja finalidade não é outra senão fazer-lhe uma lavagem cerebral.

Recuse-se a participar de marchas que não tem outro propósito que não seja demonstrar cacife político, pra depois negociá-lo em nome do povo evangélico.

Pare de gastar seu suado dinheiro com cd's cujos temas são sempre os mesmos. Não desperdice seu precioso tempo lendo livros de auto-ajuda disfarçados de livros cristãos.

Em vez de Jacó, a nova referência bíblica dos pastores é Esaú.

A propósito, compus um breve poema sobre isso, e chama-se “Esaú”. Quero dedicá-lo a todos os que caminhavam bem, mas acabaram se rendendo ao apelo mercadológico que se instalou no arraial evangélico.

Esaú, Esaú, fizeste pouco caso de tua primogenitura
Deixaste corromper uma mensagem tão pura
Te vendeste por tão pouco, Esaú!
Esaú, Esaú, trocaste a graça por um prato de lentilha
Deixaste o rebanho a mercê da matilha
Te vendeste por tão pouco, Esaú!
Esaú, Esaú, trocaste a verdade por outra cartilha
Deixaste o caminho pra cair numa armadilha
Te vendeste por tão pouco, Esaú!
Esaú, Esaú, por que há tanta amargura em teu coração?
Por que não reconhece e pede perdão?
Ainda resta algum tempo, Esaú!
Lembras de quando conheceste a graça
Tesouro maior que nem ferrugem ou traça
seria capaz de devorar?
Lembras de quando aprendeste do reino?
Teu discipulado foi apenas um treino
Pra que aprendesses a amar
Já te esqueceste, Esaú,
das lágrimas derramadas
Das longas jornadas,
Simplesmente por amar?
Te ofendeste, Esaú
Por minha sinceridade,
Por te dizer a verdade,
Simplesmente por te amar?

Fonte: Genizah / Hermes Fernandes

Evangélicos nunca serão maioria no Brasil ,e que os “sem religião” serão grandes e fortes, afirmam especialistas


Quem tem passado os olhos sobre os jornais e revistas dos últimos meses não terá muitas dúvidas em afirmar: não há lugar para o cristianismo no chamado espaço público do Ocidente neste século 21. Esse espaço pertence a agnósticos, a ateus ou aos genericamente chamados de “sem religião” – gente que não se sente identificada por nenhum sistema de fé ou instituição religiosa e que, por isso, estaria mais apta a lidar adequadamente com o pluralismo da sociedade pós-moderna. Esse é o tom do mundo político, do meio acadêmico e da grande imprensa ocidentais. Num contexto como este, aumenta a preocupação com números. E pesquisas relacionadas à confissão religiosa são acompanhadas com interesse em todo planeta.
Em abril deste ano, a revista Newsweek, nos Estados Unidos, colocou na capa matéria com o título “O declínio e a queda da América cristã”, que aposta no fim da hegemonia do cristianismo na cultura norte-americana, apressando esse diagnóstico por conta da retração, ao longo das últimas duas décadas, de 10% no número de pessoas que se auto-identificam como cristãs. Isso, a despeito de a religião agora vista pela publicação como decadente ainda contar com nada menos do que a adesão de 76% da população do país, de acordo com os dados divulgados pela pesquisa American Religious Identification Survey.
Por aqui, em uma série de artigos publicados recentemente pela revista Ultimato, Paul Freston, doutor em sociologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), debate o futuro da Igreja Evangélica no Brasil em termos de força numérica e também cultural. Ele lembra que o país atualmente pode ser considerado a “capital mundial do pentecostalismo”, mas que isso não garante que a voz dos evangélicos será a hegemônica. Freston afirma, em seus artigos, que para alguns estudiosos o crescimento pentecostal no Brasil vai dar lugar à secularização: a trajetória das pessoas iria então do catolicismo para o pentecostalismo e depois para o grupo dos “sem religião”. Ele vê um crescimento dos “sem religião” – designação que agrega agnósticos, ateus e místicos sem uma filiação religiosa definida – no mesmo ritmo dos pentecostais e justamente nas “mesmas periferias e fronteiras” das grandes cidades, entre jovens e não-brancos.
Se as tendências atuais persistirem, continua Freston em sua série de três artigos, nunca haverá maioria evangélica no Brasil. Ele aposta, assim, que a decadência católica se estabilizaria, parando no patamar em torno de 40% da população. Os evangélicos chegariam a 35% e os “sem religião” formariam um terceiro grande grupo, com cerca de vinte e cinco por cento dos brasileiros. O sociólogo sublinha, no entanto, que há uma diferença importante entre os pentecostais e os chamados sem religião – estes são, sobretudo, homens, e os pentecostais, majoritariamente, do gênero feminino. “Talvez, então, ‘sem religião’ seja o substituto do pentecostalismo para rapazes subempregados e ainda sem responsabilidades familiares”, pondera o especialista. Algo temporário, portanto.
À revista CRISTIANISMO HOJE, Freston afirmou ter baseado seu cálculo em relação ao futuro da religião no país, a partir do destino que tem sido traçado pelos brasileiros que abandonam o catolicismo: “Apenas um em cada dois ex-católicos vira evangélico”, declara. Para ele, não adianta tentar definir quem seriam os “sem religião”, e sim, entender a variedade que acaba caindo nessa categoria censitária. “Uns poucos cristãos, por alguma razão, talvez aceitem ser contados nesse grupo”, admite.

“Componente místico”

Já Agnaldo Cuoco Portugal, doutor em filosofia da religião e professor da Universidade de Brasília (UnB), lembra que os números dos últimos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam para uma situação totalmente oposta. “Os últimos dados, de 2005, comparados com os de 2000, mostram na verdade uma diminuição do número das pessoas que se declaram sem religião, ainda que dentro da margem de erro”, aponta. Portugal ressalta que os acadêmicos têm dificuldade de explicar o grande crescimento da religião ao redor do mundo, em que pesem todas as previsões contrárias. E o cristianismo está nessa equação.
De fato, o estudo Economia das Religiões, divulgado no ano passado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em dados do IBGE entre 2000 e 2003, mostra o crescimentos dos evangélicos, tanto tradicionais quanto pentecostais. E aponta a queda – não vertiginosa como acontecia nos anos 90, é verdade – do número de católicos e também dos “sem religião”. Em 2000, o percentual de brasileiros que declaravam não professar qualquer crença era de 9,02%. Três anos depois, esse número caiu para pouco mais de cinco por cento. O professor observa que, entre os que dizem não pertencer a uma religião, há os ateus modernos, que militam contra a fé, e os agnósticos, que simplesmente não encontraram resposta na religião. E há também aqueles que têm algum tipo de religiosidade ou de espiritualidade, mas não se identificam com nenhuma das religiões institucionalizadas. “O que é muito curioso”, avalia o professor. “São ‘sem religião’, mas no sentido institucional da palavra. Eles não são mediados por nenhuma instituição ou participam de grupos muito pouco institucionalizados. O que é uma tendência, até”, diz Portugal.
“As ciências sociais têm explicações e discussões muito antigas, datando do século 18, que vaticinaram o fim da religião como elemento constitutivo da sociedade”, diz, por sua vez, Alexandre Brasil Fonseca, doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele lembra que esse entendimento veio relacionado ao estabelecimento dos regimes republicanos no Ocidente e aos processos de secularização e advento do Estado laico. Fonseca sublinha, porém, que hoje os teóricos encontram um quadro diferente: a religião ganha força em todo o mundo. “O ponto em que há mais problemas na teoria sociológica contemporânea é entender o inverso”, sustenta. “Compreender processos como a forte presença do pentecostalismo na América Latina, a ampliação do islamismo na Europa, a forte presença de evangélicos conservadores – tanto nas classes baixas quanto altas nos Estados Unidos –, o crescimento das religiões de matriz africana na Argentina e no Uruguai ou o aumento de jovens que optam por ser padres na esteira da renovação carismática católica”, enumera.
O sociólogo ressalta que a sociedade brasileira é “eivada de um forte apelo religioso”, o que até dificulta a definição do que configuraria o grupo dos que declaram não pertencer a religião alguma. “Parece impensável, para o brasileiro, levar uma vida que não tenha um componente místico ou transcendental em seu cotidiano”, diz ele. “Definir-se como ‘sem religião’ é dizer que não se segue uma ‘religião-de-igreja’, nos termos de [Peter Ludwig] Berger”, explica Fonseca, referindo-se ao sociólogo e teólogo austríaco que analisou os fenômenos da secularização e da dessecularização, assim como o da individualização da experiência religiosa. “No caso brasileiro, pelo número baixo de ateus e pela pouca expressão de grupos militantes e organizados neste campo, parece que temos aí uma massa de pessoas que optou por moldar uma religiosidade particular”, explica. Essa postura seria, continua o pesquisador, fruto da reunião de diferentes credos e experiências. “Por outro lado, reforça a idéia de que os ‘sem religião’ se cansaram da religiosidade tradicional e buscam respostas não coletivas, mas individuais”, ressalva.

Deus impessoal

Para ele, ainda há muito o que estudar quando se fala desse grupo de pessoas. O estudo Economia das Religiões, da FGV, mostrou que a faixa da população brasileira mais avessa à religião é justamente a mais pobre, da classe E, que ganha até dois salários mínimos. “Entender porque pessoas com nível superior, com alto ingresso de recursos, do sexo masculino e brancas não possuem uma religião é algo de explicação praticamente automática”, diz. “O interesse sociológico reside no outro extremo, o de, por exemplo, mulheres negras que residem em favelas, vivem com salário mínimo ou menos do que isso e provavelmente dependem de programas sociais para complementar sua renda. Por que neste grupo existe um percentual tão alto de pessoas que afirmam não ter religião?”, indaga Fonseca, sublinhando que a sociologia brasileira tem começado a se debruçar sobre o tema, analisando os dados nos últimos cinco anos.
O fato é que, enquanto atrai uns, a religião pode provocar calafrios em outros. O advogado baiano Felipe Lordelo, de 24 anos, é tão incomodado com o tema que no ano passado criou um site, o www.semreligiao.com.br. Segundo ele, tudo começou por causa de uma ex-namorada evangélica. “Ela vivia um certo radicalismo que começou a provocar em mim questionamentos a respeito da interferência religiosa na vida das pessoas”, conta ele, que chegou a debater o assunto em um programa de TV, acompanhado do roqueiro Lobão. Lordelo afirma ter a colaboração, no site, de ateus, agnósticos, deístas e até católicos. “Nosso grupo tem uma vertente deísta, ou seja, aqueles que acreditam em Deus, mas entendem ser desnecessária a intermediação da religião para compreendermos a vontade dele”, aponta. “Poderíamos assim definir ‘sem religião’ como um gênero e suas espécies como variações relacionadas às crenças”, explica.
O próprio Lordelo se declara um deísta, e à sua maneira define Deus como sendo o próprio Design Inteligente, sem poder de influenciar ou decidir o destino dos homens. Lordelo acredita que há um crescimento deste segmento entre os que saem das fileiras evangélicas. “O que acontece é que muitas pessoas dizem ser de uma religião por imposição social ou por terem sido apenas batizadas nela”, assegura, classificando as instituições religiosas como meros suportes psicológicos, prejudiciais até às famílias. Apreciador de debates, o jovem diz que muitos cristãos participam do site com argumentos e críticas. “Alguns, porém, são mais agressivos”, reclama. Perguntado se ele mesmo não estaria estabelecendo um sistema de crenças que poderia ser taxado por alguém como uma nova religião, Lordelo responde enfático. “Com certeza que não!”

“Encontrei novo sentido”

Pedro Ivo de Souza Batista, 47 anos, voltou a ter fé há pouco tempo. Foi uma longa trajetória, que envolveu também suas escolhas políticas e intelectuais. “Deus usou a ciência. Na brecha que a gente dá, ele vem”, conta. Cearense, criado no catolicismo, no início da década de 80, sob influência da teologia da libertação, ele participou de movimentos políticos de contestação. Aos poucos, foi se bandeando até tornar-se um ateu convicto, aos 22 anos. “Não tinha sentido imaginar que Deus existia e que Jesus era seu Filho”, confessa.
Com anos e anos de um ateísmo já arraigado, algo começou a deixar o militante de esquerda inquieto. Primeiramente atraído pela causa da ecologia, passou a ver um sentido novo para as coisas. “Comecei a discutir o universo, a criação, a formação da Terra, os elementos que compõem a vida. O processo evolutivo é tão sutil, tão delicado, que passei a pensar na existência de algo transcendental, acima da gente – algum arquiteto disso tudo”, lembra Pedro Ivo, que coordenou a Agenda 21 Brasil, no Ministério do Meio Ambiente, e é assessor parlamentar da senadora Marina Silva (PT-AC), ex-titular da Pasta. “Passei a ler sobre os cientistas e descobri que muitos viam na ciência um caminho para Deus.”
Pois o caminho de Pedro Ivo não parou por aí. Ele parecia tomar um rumo mais esotérico, com interesse no budismo. A militância política, porém, o chamava para algo que unisse a idéia de transcendência com uma espiritualidade mais concreta. Incentivado pelos cristãos do gabinete de Marina Silva, ele resolveu ler a Bíblia e a aprender sobre Jesus Cristo. “Vi a forma como ele se relacionava com as pessoas, a natureza, a transcendência, todo o exemplo dele me tocou muito. A beleza do universo só seria possível com alguém muito amoroso e compassivo com todos. Cheguei à conclusão de que Jesus estava nesse processo todo”, afirma. “Voltei a Deus de uma forma muito racional. Não houve nada fantástico, não fui curado de nada. Mas na busca da esperança, encontrei esse amor incondicional”.
Pela formação de esquerda – o que é “contraditório, mas não excludente”, diz –, Pedro Ivo ficou mais próximo ao protestantismo. Interessou-se pela Reforma de Lutero e pela forma democrática de ser dos evangélicos. “Há muito preconceito contra os crentes, muitas tentativas de colocá-los num padrão”, diz Pedro Ivo, que hoje congrega na Igreja Anglicana, em Brasília; “Meus amigos todos, comunistas, revolucionários, socialistas, não compreenderam minha nova posição. Acharam que eu estava perdendo o rumo, que abdicaria de minhas opções políticas e sociais, com as características do que sou”, revela. “Depois que a gente encontra fé, as coisas vão se revelando. Coisas muito bonitas, o Reino de Deus, a possibilidade de uma vida nova, a importância da oração”, conta. “Estou muito feliz, mais humano, mais filho de Deus”, resume, convicto.

Fé sob ataque

Propaganda ateísta assume ares de batalha cultural
Não são poucos os que esperam que o cristianismo saia de cena de vez. Qualquer discurso que, entre suas argumentações, tangencie uma justificativa cristã, é repelido com veemência em artigos e editoriais na grande mídia. Quando o então Procurador-Geral da República Cláudio Fonteles, católico praticante, provocou, há dois anos, o Supremo Tribunal Federal a se manifestar sobre a legalidade ou não do uso de células-tronco embrionárias para pesquisa científica – tendo como argumento o direito à vida dos embriões congelados –, os principais articulistas do país o criticaram asperamente pela ousadia de tirar sua religião do foro íntimo para o debate no espaço público, no âmbito do Estado. Praticamente uma heresia.
Ao que parece, os evangélicos, em especial, estão fadados a ficar confinados em uma espécie de córner de extrema direita, acuados e taxados de intolerantes e responsabilizados por guerras e preconceitos. A grande mídia norte-americana não teve pudor em bater duro no então recém-eleito presidente Barack Obama pelo simples fato de ele ter convidado o pastor Rick Warren – tido como conservador, ou, pecado maior, “fundamentalista” – para ser um dos religiosos a fazer a oração da posse, em janeiro. A crítica se baseava no fato de Warren simplesmente continuar pregando a salvação em Jesus e não concordar com casamento entre homossexuais.
O clima nas universidades, na mídia e na política é de uma autêntica batalha cultural. “Minha experiência mostra que as universidades ocidentais não se preocupam com conhecimento e aprendizado, mas com ideologia”, disse no ano passado o teológo Rikk Watts, no seminário Cristianismo: Benção ou maldição?, promovido em Brasília (DF) pelo Centro Cristão de Estudos. “Se vamos salvar essas universidades, nós, cristãos, teremos que aprender a falar a verdade e conhecer a nossa história”, observou Watts, que é professor do seminário do Regent College, no Canadá, além de PhD em teologia em Cambridge e especialista em filosofia, história da arte e sociologia. “O problema é que a maior parte dos cristãos não sabe explicar diferentemente do que pregam pessoas como o cientista britânico Richard Dawkins, para quem todos os males do mundo vêm do cristianismo”, declarou. “Mas eu cheguei à conclusão, e não sou só eu, que não há nada que tenha feito tão bem ao mundo quanto o cristianismo”, ousa dizer o teólogo, que deve voltar ao Brasil em agosto, para novas conferências.

Recuo paradoxal

Na Inglaterra, a batalha em torno da fé chegou ao complicado trânsito londrino. Propaganda ateísta toma algumas dezenas daqueles tradicionais ônibus vermelhos, de dois andares, com a frase “Provavelmente não há Deus; agora pare de se preocupar e curta a vida”. O que pouco se noticiou é que o grupo que paga a propaganda, ligado a Dawkins, um pregador do ateísmo, resolveu agir para responder à criativa forma de evangelização encontrada pelo grupo interdenominacional Lamb of God (Cordeiro de Deus). Os crentes seguem colocando versículos bíblicos na lateral de vários ônibus londrinos. “Quando vier o Filho do homem, encontrará, porventura, fé na Terra?”, pergunta um dos anúncios, com o texto do Evangelho de Lucas (18.8).
Em recente palestra proferida na milenar catedral de Saint Paul, em Londres, o arcebispo da Igreja Anglicana, Rowan Williams, defendeu a relevância cultural da fé cristã numa Europa pluralista e multiétnica. Ele refutava a tese de que o cristianismo não cabe em ambiente democrático. Para chegar lá, o arcebispo precisou refrescar a memória com 20 séculos de história, argumentando que a religião se disseminou como força civilizatória e democratizante. Do outro lado do Atlântico, debates intensos cercam o uso de símbolos cristãos em prédios públicos norte-americanos, tidos como desrespeitosos aos que não professam a fé cristã – ainda que nada menos três em cada quatro cidadãos do país se declarem adeptos da crença, entre protestantes, católicos e evangélicos.
A posição de recuo do cristianismo, continuamente sob ataque, guarda pelo menos um paradoxo. Tida como página virada, a fé cristã ainda é professada pela maioria da população ocidental. Apesar de sofrer grandes revezes e estar sendo banido do espaço público – sendo desconsiderado como voz legítima no meio acadêmico, na mídia e na política –, a verdade é que as pesquisas sobre religião demonstram o enorme poder de influência do cristianismo. Na secularizada Europa, o número de pessoas que buscam a religião tem aumentado. Em 2005, pesquisa do Eurobarometter Poll mostrou, para surpresa de muitos, que 52% dos europeus afirmaram crer em um Deus pessoal, à maneira cristã, e outros 27% disseram acreditar que uma força espiritual e sobrenatural governa o universo.

Estado laico

No Brasil, o tom anti-religioso da mídia e dos meios acadêmicos também não deixa dúvidas de que o cristianismo, por aqui, já não parece ter a mesma força política e cultural. A ONG Brasil para Todos, que combate manifestações religiosas no âmbito do Estado, pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que se pronunciasse sobre o uso de crucifixos em tribunais de todo o país. O grupo, que agrega de ateus e agnósticos a adeptos de várias religiões minoritárias (inclusive protestantes), defende o caráter laico do Estado brasileiro, consagrado pela Constituição – a mesma cujo preâmbulo evoca o nome de Deus. Eles dizem não haver espaço nos tribunais para o uso de crucifixos ou qualquer menção à fé cristã, atualmente confessada por quase 90% da população do país.
O CNJ, surpreendentemente, preferiu não mexer no vespeiro e manteve a tradição do uso desses símbolos nos espaços judiciários. O jurista Ives Gandra Martins tem ressaltado, em resposta a quem combate a influência cristã – especialmente católica – no âmbito da Justiça, que o laicismo não deve ser confundido com ateísmo oficial. “Estado laico, que reconhece o fator religioso como componente constitutivo das sociedades humanas, não se confunde com Estado ateu, que rejeita toda manifestação religiosa”, afirma.
Fonte: Cristianismo Hoje – Novembro de 2010